Workshop internacional junta autarcas em busca de ferramentas contra a fúria da natureza; Manuel de Araújo defende planeamento baseado em riscos.
A cidade de Quelimane, que ainda carrega as cicatrizes profundas deixadas pela passagem devastadora do Ciclone Freddy em 2023, tornou-se desde esta segunda-feira (16) o epicentro do debate sobre o futuro das cidades moçambicanas perante a crise climática. O arranque do workshop sobre “Planeamento do Desenvolvimento Urbano Informado por Riscos” coloca sobre a mesa uma questão existencial para os municípios: como crescer sem sucumbir aos eventos extremos?
O encontro não é apenas mais um fórum de retórica institucional. Enquadrado no programa global Making Cities Resilient 2030 (MCR2030), do escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), o evento foca-se na aplicação prática de ferramentas de avaliação de resiliência. Para Quelimane, a anfitriã, o tema é de uma urgência palpável.
Na sessão de abertura, o edil Manuel de Araújo não poupou palavras ao sublinhar que a era do planeamento empírico terminou. Segundo Araújo, a coordenação institucional e a avaliação científica de riscos são agora os pilares obrigatórios para qualquer intervenção urbana que pretenda ser duradoura.
“Fenómenos como ciclones e cheias exigem mais do que reacções pós-desastre; exigem cidades preparadas antes do primeiro vento soprar”, referiu o autarca.
A relevância do workshop estende-se para além das margens do Rio dos Bons Sinais. Estão presentes representantes das cidades de Beira, Vilanculos, Chiúre e Alto Molócuè — um mosaico de geografias que, embora distintas, partilham a vulnerabilidade comum à precariedade das infra-estruturas e à fúria do Índico.
Durante três dias, técnicos e decisores políticos irão dissecar guias de acção e bases de dados internacionais para identificar as brechas no ordenamento territorial moçambicano. O objectivo é claro: transitar de uma cultura de “gestão de socorro” para uma cultura de “prevenção estrutural”.


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