BRUXELAS – Na sua estreia oficial em palcos europeus, o Presidente da República, Daniel Chapo, escolheu o coração da União Europeia para ensaiar um novo figurino de proximidade com a “décima primeira província”. No passado domingo, em Bruxelas, o Chefe de Estado reuniu-se com a comunidade moçambicana residente no BENELUX (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo), num encontro onde as promessas de modernização do Estado colidiram com as queixas crónicas de abandono institucional.
Apesar do tom cordial, o encontro serviu para expor as feridas abertas de quem vive fora, mas mantém o cordão umbilical com a pátria. Os moçambicanos no BENELUX, integrados em sectores de ponta como a indústria digital e engenharia, lamentaram a humilhação logística a que são submetidos. Actualmente, para obter um simples documento de identificação, são obrigados a deslocar-se a Berlim, na Alemanha.
A lista de “agravos” é extensa: a impossibilidade de exercer o direito de voto — um pilar da cidadania frequentemente negado à diáspora — e as barreiras na conversão de cartas de condução. Como antídoto, a comunidade propôs a criação de um “guiché do imigrante”, uma estrutura que centralize a resolução destes imbróglios administrativos.
Chapo, que se fez acompanhar pela nova Secretária de Estado dedicada às comunidades na diáspora — uma estreia na estrutura governativa —, tentou vender uma imagem de um Moçambique em mutação. O estadista assumiu que a corrupção e a burocracia são entraves que “devem passar para a história”.
Contudo, o cepticismo persiste. Enquanto o Presidente apela ao reforço da inscrição consular — notando que apenas 300 dos mais de mil residentes estão regularizados —, a diáspora questiona se a máquina estatal terá agilidade para acompanhar o capital intelectual que o país diz querer atrair.
No plano da segurança, Chapo não esqueceu o dossier Cabo Delgado, agradecendo o apoio europeu e enaltecendo a “bravura” das Forças de Defesa e Segurança, apoiadas pelo Ruanda e Tanzânia. Num momento de particular simbolismo, o estadista referiu-se ao “Compromisso Político” assinado com diversas forças da sociedade moçambicana, apresentando-o como o garante da estabilidade necessária para que as reformas económicas não fiquem pelo caminho.



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